“Jesus perguntou aos Doze: ‘Vocês também não querem ir? ’Simão Pedro lhe respondeu: ‘Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras de vida eterna. Nós cremos e sabemos que és o Santo de Deus’”. (João 6: 67 a 69).
A confirmação do envio de Jesus como o Messias para resgatar e salvar o povo de Deus e purificá-los de todo pecado acontecia a cada momento em que seu ministério se expandia e crescia, alcançando mais e mais pessoas. Doentes eram curados, cegos voltaram a enxergar, surdos a ouvir e aleijados passaram a caminhar. Em um de seus ensinamentos Jesus alimentou a multidão de cinco mil homens, que o seguia, com apenas cinco pães e dois peixes. Seu poder perante os demônios impressionava a todos. Bastava um olhar e eles saiam galopando como cavalos desgovernados. A autoridade sobre as manifestações naturais, como as tempestades e ventanias, deixavam seus discípulos maravilhados. Até o que parecia impossível para um humano, como caminhar sobre as águas, ele fez. Realmente, diante de tantos sinais poderosos, não haveria dúvidas de que Jesus era o enviado de Deus.
No entanto, em um dos seus ensinamentos, quando ele falava a respeito da salvação e de que a vida eterna só poderia ser alcançada por meio do reconhecimento de que seu corpo era o alimento essencial para que não quisesse mais ter fome (João 6:51) e de que seu sangue seria a marca de permanência na vida eterna (João 6:56), muitos dos seus discípulos sentiram-se impactados com tamanha afirmação. Esse impacto não era o mesmo que os invadia nos momentos em que presenciavam os milagres, as curas e a autoridade de Jesus sobre a criação. Eles ficaram impactados com a possibilidade de se beber o sangue de alguém e se alimentar da carne. Para eles isso era inadmissível! Não receberam essa verdade de Jesus e não compreendiam o que lhes era ministrado pelo Espírito de Vida que habitava em (com) Jesus. Não agüentaram essa verdade, não suportaram a possibilidade de um homem que se parecia tanto com eles assumir que era Ele o pão da vida que há tanto tempo o povo judeu esperava. Como poderia ser isso? O messias, o grande Rei, vinha de uma linhagem real, descendente de Davi! “Dura é essa palavra. Quem pode suportá-la?” (João 6:68), foi essa a resposta deles para a verdade de Jesus. Abandonaram o Cristo, pois nunca estiveram com Ele verdadeiramente. Apenas estavam maravilhados com os sinais e maravilhas que ele fizera durante todo o tempo.
Os Doze, que permaneciam com Jesus, sabiam do que ele estava falando. Reconheciam em suas palavras poder e autoridade. Enxergavam a verdade da salvação em seu corpo e sangue. E quando Jesus questionou-os sobre a possibilidade de abandoná-lo também, Pedro responde sem pestanejar: “Para quem iremos? Tu tens as palavras de vida eterna”.
Quantas vezes caminhamos com Jesus, servimos a Ele, declaramos entregar nossos corações em seu altar, declaramos vivenciar o poder de Deus, mas estamos apenas encantados com os sinais e maravilhas que Ele tem feito em nosso redor?
Quando Jesus nos convida a uma vida verdadeira de restauração, de entrega, de aliança, de reconhecimento da salvação pelo seu sangue que nos marca e nos faz renunciar tudo àquilo que pensamos ser bom para nossas vidas, ele nos convida a reconhecê-lo como o Cristo que é o único que tem as palavras de vida eterna, que pode transformar o nosso ser com apenas um olhar.
Independente do que Deus tem feito em nossas vidas, das bênçãos, da prosperidade, das vitórias que Ele nos tem concedido, dos livramentos, devemos reconhecer que Ele é o único que tem as palavras de vida eterna. Ainda que nada disso Ele fizesse, ainda que passemos pelo vale mais árido, que enfrentemos a morte de frente, que nossa casa não prospere, que nossas lutas sejam árduas e as batalhas pareçam quase invencíveis. Ainda que ele não estendesse a mão para nos abençoar, Ele continua a ser o Único que tem as palavras de vida eterna. Para onde iremos nós? Não há nenhum outro debaixo do sol, acima dos céus, nas profundezas do mar que nos dê a plenitude da certeza de vida.
Reflita sobre isso e pense se você está com Jesus por Ele oferecer as palavras de vida eterna ou pelos milagres e sinais que ele tem realizado em seu redor, ou até mesmo em sua vida.